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Rampas acessíveis (NBR 9050) – II

Como vimos no post anterior (link aqui), as rampas possuem uma série de recomendações a serem seguidas.

Utilizamos como exemplo um desnível de 80cm, que pode ser vencido em um único lance de rampa, de inclinação i = 8,33%, ocupando uma projeção horizontal (comprimento de rampa) igual a 9,60m.

A Norma estabelece alturas máximas a serem vencidas, em função da inclinação adotada.

Exemplo: Para vencer um desnível de 1,50m, utilizando uma rampa com inclinação de 8,33%, qual o comprimento necessário?

Aplicando a fórmula:

150

Sabemos então que o comprimento horizontal será de 18,00m – porém como sabemos que o desnível máximo que a rampa de i=8,33% pode vencer é de 80cm, podemos dividir a rampa em dois seguimentos de 9,00m, cada um vencendo a altura de 0,75m (metade da altura h=1,50m).

(Podemos ter várias soluções diferentes, adotando alturas diferentes a serem vencidas a cada lance ou mesmo a posição de cada lance)

Uma das soluções, adotando uma rampa totalmente reta (bastante utilizada em projetos de grandes espaços livres ou projetos em que o percurso seja algo a ser explorado, como Museus, por exemplo, seria:

RAMPA 150 1

Rampa reta vencendo desnível de 1,50m, com dois lances de h=0,75m e comprimento igual a 9,00m, cada

RAMPA 150 1-1

Trecho inicial do Corte A, mostrando as duas alturas do corrimão e o guarda-corpo. Notar a guia de balizamento, que funciona como uma pequena mureta. O guarda-corpo avança 30cm do início da suvida da rampa

RAMPA 150 1-2

Trecho do Corte A, passando pelo Patamar Intermediário, a 75cm de altura do início da rampa

RAMPA 150 1-3

Trecho final do Corte A, chegando no nível 1,50m acima do início da rampa.

 

RAMPA 150 1-4

No Corte B conseguimos ver a altura da guia de balizamento em corte (neste exemplo, usamos uma fiada de alvenaria) e o guarda-corpo apoiado sobre esta guia. Os corrimãos, por sua vez, estão fixados na estrutura do guarda-corpo, com as duas alturas exigidas (70 e 92 cm)

RAMPA 150 1-5

Podemos ver, em planta, o início da rampa com o piso tátil e corrimão, afastado 30cm do início da subida da rampa. Sempre inicamos o sentido de SUBIDA das rampas

RAMPA 150 1-6

Sempre é necessário indicar a inclinação da rampa (neste caso, i = 8,33%) assim como o comprimento horizontal que ela percorre (neste caso, 9,00m)

 

RAMPA 150 1-7

Trecho planta mostrando o Patamar Intermediário, a 75cm de altura do início da rampa. Seu comprimento é igual a largura (1,50m)

RAMPA 150 1-8

Podemos ver, em planta, a chegada na rampa, 1,50m acima do nível em que ela começou. A largura livre mínima recomendada é de 1,50m – que corresponde ao giro de 360º de uma cadeira de rodas.

Uma outra solução – bstante utilizada quando o espaço em planta precisa ser mais otimizado – é a rampa em U.

 

RAMPA 150 2-1

Rampa em U, vencendo desnível de 1,50m, com dois lances de h=0,75m e comprimento igual a 9,00m, cada

 

 

RAMPA 150 2-2

Trecho inicial do Corte A, mostrando as duas alturas do corrimão e o guarda-corpo. Notar a guia de balizamento, que funciona como uma pequena mureta. O guarda-corpo avança 30cm do início da suvida da rampa – este trecho é igual ao primeiro exemplo

 

 

RAMPA 150 2-3

Trecho do Corte A, passando pelo Patamar Intermediário, a 75cm de altura do início da rampa – note que este trecho do corte é bastante diferente do exemplo 1

 

 

RAMPA 150 2-4

No Corte B conseguimos ver a altura da guia de balizamento em corte (neste exemplo, usamos uma fiada de alvenaria) e o guarda-corpo apoiado sobre esta guia. Os corrimãos, por sua vez, estão fixados na estrutura do guarda-corpo, com as duas alturas exigidas (70 e 92 cm). No Corte B conseguimos ver que no patamar a largura da rampa é o dobro do primeiro exemplo

 

 

RAMPA 150 2-5

Podemos ver, em planta, o início da rampa com o piso tátil e corrimão, afastado 30cm do início da subida da rampa. Sempre inicamos o sentido de SUBIDA das rampas. Vemos também a mureta que ocorre no nível + 1,50m, de modo que o usuário esteja protegido de queda na chegada no nível +1,50m

 

 

RAMPA 150 2-6

Sempre é necessário indicar a inclinação da rampa (neste caso, i = 8,33%) assim como o comprimento horizontal que ela percorre (neste caso, 9,00m) – como no primeiro exemplo

 

 

RAMPA 150 2-7

Trecho planta mostrando o Patamar Intermediário, a 75cm de altura do início da rampa. Seu comprimento é igual ao dobro da largura da rampa 

 

 

RAMPA 150 2-8

Podemos ver, em planta, a chegada na rampa, 1,50m acima do nível em que ela começou. A largura livre mínima recomendada é de 1,50m – que corresponde ao giro de 360º de uma cadeira de rodas. Notar a mureta de proteção.

 

Para a determinação da largura da rampa, devem ser atendidas as regras aplicadas ao cálculo de população e fluxo de pessoas (ver NBR 9077 e IT-11), sendo a largura livre mínima recomendável de 1,50m, sendo o mínimo admissível de 1,20m. 

Os corrimãos devem ser considerados em cada lado da rampa e deve ter duas alturas (70 e 92cm). No caso de não haver paredes laterais, as rampas devem ter guarda-corpos e guias de balizamento (altura mínima de 5cm, não interferindo na largura mínima da rampa), além dos corrimãos. Quando a rampa tiver mais de 2,40m de largura é necessário pelo menos um corrimão intermediário, garantindo uma faixa de circulação com largura mínima de 1,20m. Para maiores informações sobre corrimãos e guarda-corpos, consultar a íntegra da Norma.

Os patamares no início e término das rampas devem ter dimensão longitudinal mínima de 1,20m. Entre os seguimentos de rampas devem haver patamares intermediários com dimensão longitudinal mínima de 1,20m. Quando houver mudança de direção, os patamares devem ter dimensões iguais a largura da rampa.

Observação importante: estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

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Rampas acessíveis (NBR 9050)

Uma das questões mais importantes – e complexas – da aplicação da Norma de Acessibilidade (NBR 9050) são as rampas para acesso de pedestres. Não só os cadeirantes a utilizam – pessoas idosas, com dificuldade de locomoção, mães com carrinhos de crianças e uma série de outras situações fazem o acesso somente por escadas ser inapropriado.

Em se tratando de grandes desníveis a serem vencidos – por exemplo, a circulação vertical de um edifício – considera-se que os elevadores são acessíveis e, portanto, atendem a NBR 9050.

No entanto, é bastante comum existirem desníveis entre o nível de acesso da edificação e o hall de elevadores, por exemplo. A regra é simples: onde existir desnível/escada deverá ser prevista rampa.

A Norma define rampa como qualquer superfície com inclinação igual ou superior a 5%. A inclinação de uma rampa é dada pela fórmula:

inclinaçãoonde

i = inclinação da rampa (em percentagem)

h = altura do desnível

c = comprimento da rampa (projeção horizontal)

Em geral, já sabemos a inclinação a adotar e o desnível a vencer, então podemos calcular o comprimento horizontal da rampa pela fórmula:

comprimentoExemplo: Para vencer um desnível de 80cm (0.80m), utilizando uma rampa com inclinação de 8,33%, qual o comprimento necessário?

960Resposta: São necessários 9,60m.

rampa desnivel80

Rampa acessível, com elementos exigidos pela NBR 9050

trecho corte a

Trecho do Corte A, mostrando as alturas do corrimão (70 e 92cm) e o guarda-corpo. Notar a guia de balizamento, que funciona como uma espécie de pequena mureta. O guarda-corpo avança 30cm do início da subida da rampa.

trecho corte a2

Trecho do Corte A, mostrando as alturas do corrimão (70 e 92cm) e o guarda-corpo. Notar a guia de balizamento, que funciona como uma espécie de pequena mureta. O guarda-corpo avança 30cm da chegada da rampa.

corteb

No Corte B conseguimos ver a altura da guia de balizamento em corte (neste exemplo, usamos uma fiada de alvenaria) e o guarda-corpo apoiado sobre esta guia. Os corrimãos, por sua vez, estão fixados na estrutura do guarda-corpo, com as duas alturas exigidas (70 e 92 cm)

 

planta trecho

Podemos ver, em planta, o início da rampa com o piso tátil e corrimão, afastado 30cm do início da subida da rampa. Sempre inicamos o sentido de SUBIDA das rampas

planta trecho2

Sempre é necessário indicar a inclinação da rampa (neste caso, i = 8,33%) assim como o comprimento horizontal que ela percorre (neste caso, 9,60m)

planta trecho3

Podemos ver, em planta, a chegada na rampa, 80cm acima do nível em que ela começou. A largura livre mínima recomendada é de 1,50m – que corresponde ao giro de 360º de uma cadeira de rodas.

 

A Norma estabelece limites de altura máximos a serem vencidos por cada seguimento de rampa, em função de sua inclinação.

rampas

Exemplo: Para vencer um desnível de 1,50m, utilizando uma rampa com inclinação de 8,33%, qual o comprimento necessário?

Aplicando a fórmula:

150

Sabemos então que o comprimento horizontal será de 18,00m – porém como sabemos que o desnível máximo que a rampa de i=8,33% pode vencer é de 80cm, podemos dividir a rampa em dois seguimentos de 9,00m, cada um vencendo a altura de 0,75m (metade da altura h=1,50m).

Em projetos da “vida real” costuma-se sempre utilizar a inclinação máxima de 8,33% de forma a otimizar o espaço ocupado pela rampa. No caso de reformas, quando não for possível adotar as inclinações acima, a Norma admite rampas com inclinação máxima de 12,5%, com restrições de alturas a serem vencidas e número máximo de segmentos. Rampas em curva também costuma ser evitadas, pois além de ocuparem espaços maiores possuem exigências quanto a inclinação transversal.

Excepcionalmente, para o caso de auditórios, a Norma admite que as rampas que atendam a circulação da platéia possam ter inclinação máxima de 12%. É exigido que uma rota acessível interligue os espaços da platéia, ao palco e bastidores. O desnível entre o palco e a platéia deve ser vencido por rampa com largura mínima de 90cm e inclinação máxima de 16,66% (para desnível de até 60cm) ou 10% (para desníveis maiores que 60cm) e devem possuir guia de balizamento, não sendo necessário guarda-corpo e corrimão. A rampa – ou equipamento eletromecânico que a substitua – deve se situar em local de acesso imediato, porém discreto e fora do alcance visual da platéia.

Para a determinação da largura da rampa, devem ser atendidas as regras aplicadas ao cálculo de população e fluxo de pessoas (ver NBR 9077 e IT-11), sendo a largura livre mínima recomendável de 1,50m, sendo o mínimo admissível de 1,20m. 

Os corrimãos devem ser considerados em cada lado da rampa e deve ter duas alturas (70 e 92cm). No caso de não haver paredes laterais, as rampas devem ter guarda-corpos e guias de balizamento (altura mínima de 5cm, não interferindo na largura mínima da rampa), além dos corrimãos. Quando a rampa tiver mais de 2,40m de largura é necessário pelo menos um corrimão intermediário, garantindo uma faixa de circulação com largura mínima de 1,20m. Para maiores informações sobre corrimãos e guarda-corpos, consultar a íntegra da Norma.

Os patamares no início e término das rampas devem ter dimensão longitudinal mínima de 1,20m. Entre os seguimentos de rampas devem haver patamares intermediários com dimensão longitudinal mínima de 1,20m. Quando houver mudança de direção, os patamares devem ter dimensões iguais a largura da rampa.

Observação importante: estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

Escadas de Incêndio – Casa de Máquinas de Elevadores

Em posts anteriores (aquiaqui e aqui) vimos como dimensionar a Escada de Incêndio, obedecendo ao Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo, a NBR-9077 e as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.

A estrutura de concreto da caixa de escada de incêndio esta sendo utilizada para, no Ático, abrigar o Reservatório Superior e barrilete. Seguindo raciocínio análogo, a caixa de elevadores, no Ático, passa a fazer parte da Casa de Máquinas de Elevadores.

Ático

Ático

O Código de Obras do Município de São Paulo estabelece que para edificações com mais de 10 pavimentos e/ou desnível superior a 24m são necessários, no mínimo, 2 elevadores.

Corte B - Escada

Corte B – Escada

O Corte B auxilia muito no entendimento do que está acontecendo no Atico.

Nele podemos ver o Reservatório Superior em corte, com o barrilete abaixo.

Ao lado do Reservatório Superior podemos ver a Casa de Máquinas de Elevadores. Para o correto dimensionamento das alturas é fundamental tomar como referência as informações fornecidas pelo fabricante dos elevadores – neste exercício estamos considerando o modelo Schindler 3600, da Atlas (especificação aqui)

Além das informações sobre as dimensões necessárias para a caixa de concreto por onde os elevadores percorreram os andares (neste exemplo, a caixa precisa de 1,80m x 2,00m – medidas em planta) duas informações são essenciais: a altura da última parada (estamos adotando 4,55m) e a altura livre mínima da Casa de Máquinas (estamos adotando 2,20m). Estas informações são obtidas na tabela fornecida pelo fabricante, em função do modelo selecionado, da velocidade de percurso dos elevadores, dimensões da cabine, lotação, etc.

Quando formos detalhar o Corte do 3º subsolo iremos precisar da informação sobre a profundidade do poço do elevador.

Observação importante: A NBR 9077 possui uma série de questões além das que estão discutidas neste post e deve ser lida e seguida na íntegra.

A Instrução Técnica-11 engloba usos não contemplados pela NBR-9077 e deve ser integralmente seguida, no Estado de São Paulo. Adotar sempre a determinação mais restritiva. o Código de Obras de cada Município irá estabelecer suas restrições.

Estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

Humanizando plantas (III)

Nos dois posts anteriores (veja aqui e aqui) mostramos a importância de se projetar sempre tendo em mente a disposição do layout/mobiliário nos ambientes. Vimos também que os ambientes possuem dimensões mínimas que são reguladas pelos Códigos de Obras Municipais e/ou pela NBR 15575, na falta de claras especificações no Código.

Também chamamos a atenção para o fato de que embora seja possível projetar um apartamento de 2 quartos com 50m² atendendo ao Código de Obras e NBR 15575 seria praticamente inviável fazermos com que o mesmo atenda inteiramente a NBR 9050.

Assim sendo, podemos fazer o caminho inverso: ao invés de fazermos o projeto do apartamento “tipo” para depois “adaptá-lo” a NBR 9050, podemos começar estudando soluções de projeto que atendam a NBR 9050 para então propormos a planta do pavimento tipo.

Um apartamento de 2 quartos com todos os ambientes acessíveis poderia ter a seguinte configuração:

Exemplo de apartamento acessível com 65m²

Exemplo de apartamento acessível com 65m²

Não faz sentido propor um apartamento de 2 quartos onde somente um quarto seja acessível: o usuário de cadeira de rodas tem que ter acesso a todos os ambientes – mesmo ao banheiro “não-acessível”. Ele não pode ficar impossibilitado de usufruir de todos os cômodos e ter total liberdade.

Todas as portas tem que ter vão livre de 80cm e todas as circulações tem que ter 90cm de largura. O banheiro de utilização do cadeirante tem que ter a porta com abertura para fora, além de contar com sinalização/botão de emergência, conforme exigência da norma. Não deve haver desnível entre o box e o piso adjacente do banheiro, podendo o ralo do chuveiro ter caimento de 2%. Em nenhum ambiente pode haver desnível maior que 0,5 cm.

O projeto acima possui cerca de 65m² – ou seja – um acréscimo de 30% na área em relação ao apartamento apresentado anteriormente, que possuia 50m². Ainda assim, é um apartamento pequeno – mas atende a todas as normas de dimensionamento.

Ainda que o Mercado ofereça apartamentos de 2 quartos com metragens que atendam somente ao mínimo estabelecido pelo Código de Obras e NBR 15575 entendemos que seja fundamental que os projetos atendam também a NBR 9050. Desta forma, a metragem recomendada para o apartamento de 2 quartos seria entre 60-65m².

 

Veja neste link uma interessante matéria do Jornal O Globo mostrando como as plantas dos apartamentos de dois quartos sofreram alterações ao longo dos anos.

Observação importante:

Estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

Humanizando plantas (II)

No post anterior (veja aqui) mostramos a importância de se projetar sempre tendo em mente a disposição do layout/mobiliário nos ambientes. Vimos também que os ambientes possuem dimensões mínimas que são reguladas pelos Códigos de Obras Municipais e/ou pela NBR 15575, na falta de claras especificações no Código.

São as diretrizes dos Códigos de Obras (em conjunto com o Plano Diretor e Zoneamento) que irão nortear a produção do Mercado Imobiliário. Há uma série de outras questões além das dimensões mínimas – exigência de áreas mínimas de ventilação e iluminação, faixas de aeração, faixas de insolação (essas duas últimas específicas do COE do Município de São Paulo), gabarito máximo de altura para não se ter elevador, etc – mas serão assunto de outros posts.

De forma geral, a maior parte da produção de projetos voltados ao mercado atenderá somente ao mínimo exigido pela legislação. Isso não significa, de forma alguma, que os trabalhos acadêmicos devam se restringir a isso: deve-se entender as regras de projeto exigidas como mínimo e, a partir daí, fazer proposições pensadas no conforto e usabilidade dos futuros usuários daquele projeto.

Vejam como exemplo este apartamento de 50m² que atende ao mínimo exigido pela legislação (as áreas molhadas estão com dimensões maiores que o mínimo exigido, como diretriz de projeto):

Apartamento de 50m²

Apartamento de 50m²

 

Todas as janelas estão ventilando para a mesma face de fachada. As varandas serão adicionadas no projeto, considerando o limite máximo de 10% da área total construída, de forma a ser não-computável. Banheiros possuirão ventilação forçada através de ventokit. A cozinha ventila pela área de serviço, através de ventilação permanente.

Através do número de leitos (1 cama de casal + 2 camas de solteiro) fica definido que o apartamento terá 4 moradores; desta forma a sala deve demonstrar layout com sofá de 3 lugares + 1 poltrona e mesa de jantar para 4 pessoas. O número de assentos deve sempre corresponder ao número de moradores.

Ao destacar as circulações, podemos visualizar o atendimento ao mínimo exigido pela norma:

Estudo de circulações - apartamento 50m²

Estudo de circulações – apartamento 50m²

Nos quartos, as circulações mínimas de 50cm que constam da NBR 15575 entre mobiliário e alvenarias estão respeitadas. No quarto de solteiro, circulação de 60cm entre as camas. A circulação de 75cm a partir da borda da mesa de jantar também está respeitada. A circulação principal, que conecta os diferentes ambientes, possui cerca de 85cm.

No entanto, se formos atender somente ao que exige a NBR 15575 não estaremos oferecendo o melhor projeto possível; assim sendo, todas as circulações deveriam ter no mínimo 80cm caso contrário, ao pensarmos na planta adaptada a NBR 9050, seria inviável atende-la sem que seja necessário repensar os dois quartos e sanitários.

É importante destacar também que no caso de projetos de HIS/HMP existem legislações estaduais específicas que vão estabelecer parâmetros próprios deste tipo de projeto.

Veja neste link uma interessante matéria do Jornal O Globo mostrando como as plantas dos apartamentos de dois quartos sofreram alterações ao longo dos anos.

Observação importante:

Estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

Humanizando plantas

 

Para o leigo, a humanização de plantas é fundamental para o perfeito entendimento do dimensionamento de espaços e uso propostos em um projeto. É muito comum as chamadas “plantas humanizadas” – especialmente as plantas utilizadas no mercado imobiliário para a venda de apartamentos (“planta de venda”).

Perspectiva e Humanização - 3D Arquiteto Bruno Massao (www.bmmaquetes.com)

Perspectiva e Humanização – 3D Arquiteto Bruno Massao (www.bmmaquetes.com)

O uso de maquetes eletrônicas e virtualidade também são muito úteis. Neste caso, a colocação do mobiliário tem um caráter ilustrativo e didático – mostrar ao futuro comprador como aquele espaço que está sendo adquirido pode ser usufruído.

Para o estudante – e futuro profissional – de Arquitetura, a colocação do layout/mobiliário nas plantas deve ter um significado extra.

Utilizando ainda as habitações multifamiliares como exemplo, a colocação do mobiliário deve atender a NBR 15575, que estabelece as dimensões mínimas para móveis e circulações no ambiente residencial. Não se pode propor nenhum projeto residencial que não respeite os mínimos atribuídos pela norma.

A maior parte dos Municípios – em seu Código de Obras – irá estipular as medidas mínimas para os ambientes. Mas há casos em que o Código de Obras não estabelece essas medidas, devendo então a NBR 15575 servir de base para o dimensionamento de espaços.

 Móveis e equipamentos-padrão a serem acomodados nos diferentes ambientes - Fonte: CBIC

Móveis e equipamentos-padrão a serem acomodados nos diferentes ambientes – Fonte: CBIC

A tabela acima, produzida pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mostra os móveis e equipamentos padrão estabelecidos pela NBR 15575. A íntegra do “Guia orientativo para atendimento a norma 15575” da CBIC pode ser baixado aqui.

No caso de projetos de HIS/HMP há legislação específica que dita este dimensionamento.

Desta forma, a colocação do layout/mobiliário nas plantas visa mostrar que os ambientes atendem a legislação e garantem uma correta circulação nos mesmos.

Imagine a seguinte situação: um quarto de solteiro com 9m² atende – a princípio – perfeitamente o quesito dimensões mínimas exigidas pelo Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo (COE).

O COE exige que quartos tenham área mínima de 5m² e que seja possível a inscrição de um círculo com diâmetro 2,00m no piso. Veja post sobre dimensões mínimas aqui.

No entanto, o formato do quarto e a disposição do layout irão definir se, de fato, este quarto atende a usabilidade necessária.

Como vimos na Tabela acima, a NBR 15575 estabelece que no quarto de solteiro seja possível a colocação de, no mínimo, 2 camas (0.80 x 1.90 cada), com um criado mudo (0.50 x 0.50) entre elas, além de um guarda-roupa (1.50 x 0.50). O espaço entre as camas deve ter no mínimo 60cm e as demais circulações 50cm. (ver Tabela 2 da Norma para as distâncias e dimensões mínimas)

Quarto com medidas mínimas que atendem a NBR 15575

Quarto com medidas mínimas que atendem a NBR 15575

Lembramos, novamente, que as dimensões são as mínimas exigidas, podendo ser maiores. A disposição do layout/mobiliário pode variar – camas encostadas na parede não são soluções ideais de projeto.

Desta forma, não se recomenda a utilização de blocos de cad genéricos baixados da internet: as medidas dos mobiliários podem não atender ao mínimo que a legislação determina. Da mesma maneira Manuais de Arquitetura editados em outros países não atendem nossas legislações, normas e hábitos.

Ao se detalhar um apartamento em específico, a recomendação é utilizar sempre nos mobiliários as medidas que de fato serão utilizadas: tirar as medidas dos móveis e desenhá-los tal como são ou especificar mobiliário cujas medidas são conhecidas (os sites das grandes lojas possuem as medidas dos móveis comercializados)

Além disso, temos a NBR 9050 que, por sua vez, irá estabelecer os espaços mínimos necessários a circulação do cadeirante. Ainda que apenas um dos quartos seja o utilizado para o descanso do mesmo, ele precisa circular e desfrutar de todas as áreas do apartamento.

Algumas Prefeituras já exigem que para a aprovação do Projeto Legal conste a planta mostrando a adaptação das unidades habitacionais para a norma. As unidades não tem que ser necessariamente térreas, garantindo a flexibilidade de compra pelo usuário. A indicação do layout/mobiliário é fundamental para que se possa estudar e mostrar a adequação do projeto à norma.

Além de garantir a usabilidade, a colocação do layout/mobiliário permite ainda que no Projeto Executivo o Engenheiro responsável pelas instalações prediais possa saber as posições de pontos de elétrica, telefonia, dados e voz, hidráulica, esgoto, ar condicionado necessários a viabilização da proposta. Sanitários, Cozinhas, Áreas de Serviço devem sempre apresentar a posição das peças.

 

Observação importante:

Estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

Escadas de Incêndio – Reservatório Superior

Nos dois posts anteriores (aqui e aqui) vimos como dimensionar a Escada de Incêndio, obedecendo ao Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo, a NBR-9077 e as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.

No exemplo que estamos utilizando (edificação multifamiliar com 23 pavimentos) a escada de incêndio atende até o último pavimento, não seguindo até o Ático. O acesso ao Ático se dará através de escada marinheiro, localizada próximo ao hall de elevadores.

Desta forma, aproveitaremos a estrutura de concreto da caixa de escada de incêndio para projetarmos o Reservatório Superior e barrilete. Como os elevadores atenderão também somente até o 23 pavimento, utilizaremos o espaço do ático acima deles para a Casa de Máquinas de Elevadores.

23-escada

23º Pavimento

Para o projeto e dimensionamentos dos Reservatórios Superior e Inferior é necessário consultar a NBR-5626 (Instalação predial de água fria) e – no caso de São Paulo –  norma NTS 181 da Sabesp (aqui) e a Instrução Técnica 22 do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. (texto aqui)

O Reservatório Superior deve ter capacidade para 40% do volume total de consumo mais a Reserva de Incêndio (IT-22). O Reservatório Inferior deve ter a capacidade de 60% do volume total de consumo – fica localizado no último subsolo.

Para o nosso exemplo, a IT-22 irá estabelecer que a Reserva de Incêndio é de 20 m³ ou 20.000 litros.

Para o Cálculo do Volume de Consumo, a Sabesp irá fornecer a tabela abaixo:

Tabela de Estimativa de Consumo Predial Médio Diário

Tabela de Estimativa de Consumo Predial Médio Diário

Devemos considerar 2 pessoas por dormitório, com consumo de 200 litros por dia por pessoa.

No nosso exemplo, temos 8 apartamentos de 2 quartos por pavimento tipo (no total de 23 pavimentos).

População = (n° de dormitórios) x (pessoas por dormitório) x (n° de pavimentos) x (n° de apartamentos por pavimento)

População = 2 x 2 x 23 x 8 = 736 pessoas

Como o consumo informado pela Sabesp é de 200 litros por pessoa, temos o Consumo Diário de:

Consumo Diário (CD) = 736 x 200 = 147.200 litros ou 147,2 m³

O Volume Total, somando a Reserva de incêndio, seria de:

Volume Total = 147.200 + 20.000 = 167.200 litros ou 167,2 m³

No Reservatório Superior (RS) temos que ter 40% do CD mais a Reserva de Incêndio (RI):

RS= 40% de 147.200 + RI = 0,4 x 147.200 + RI = 58.880 + RI = 78.880 litros ou 78,8 m³

RS = 78.880 litros ou 78,8 m³

Reservatório Inferior = 60% do CD = 0,6 x 147.200 = 88.320 litros ou 88,32 m³

RI = 88.320 litros ou 88,32 m³

O formato da Caixa da Escada em planta nos permite dividir o Reservatório Superior em duas células, devendo ter 39,44 m³ cada (78,88 / 2 = 39,44). Como a área de cada célula tem 8,90m², podemos achar a altura da lâmina d’água dividindo o Volume pela área: 39,440 / 8,90 = 4,43 m. Adotaremos 4,50 m.

Ático

Ático

(Na prática, muitas vezes considera-se no cálculo que o Volume de abastecimento seja capaz de atender a dois dias de consumo – sugere-se verificar o que diz o Código de Obras da municipalidade)

Corte A - Ático

Corte A – Ático

O Corte A auxilia muito neste entendimento. Nele podemos ver as duas células em corte, a cada Reservatório Superior com o Volume indicado, inclusive o da Reserva de Incêndio. O acesso para manutenção é feito por cima, por intermédio de alçapões – que são alcançados através de escada marinheiro externa protegida (com “gaiola”).

O barrilete é o espaço que fica embaixo dos Reservatórios, onde estarão acontecendo as diversas saídas dos ramais de abastecimento das prumadas hidráulicas. Precisa de, no mínimo, 80cm (espaço para que uma pessoa consiga acessar para eventuais manutenções). O barrilete também é necessário para que, no último pavimento, seja garantida pressão no ponto mais alto de abastecimento (o chuveiro), com distância mínima de 1 metro de coluna d’água (mca) entre o ponto de abastecimento e o fundo do Reservatório Superior.

No próximo post analisaremos a Casa de Máquinas de Elevadores.

 

 

 

Observação importante: A NBR 9077 possui uma série de questões além das que estão discutidas neste post e deve ser lida e seguida na íntegra.

A Instrução Técnica-11 engloba usos não contemplados pela NBR-9077 e deve ser integralmente seguida, no Estado de São Paulo. Adotar sempre a determinação mais restritiva. o Código de Obras de cada Município irá estabelecer suas restrições.

Estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

Escadas de Incêndio – dimensionamento II

No post anterior (link aqui), vimos como dimensionar a largura da escada, obedecendo ao Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo, a NBR-9077 e as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.

Neste post iremos tratar do dimensionamento do comprimento da escada.

A primeira coisa a se ter em mente é que em uma Edificação os Piso-a-pisos (também chamados de Desníveis) serão – quase sempre – diferentes de um Pavimento para o outro. A consequência direta disto é que o número de degraus necessários a vencer os desníveis entre os pavimentos será diferente.

Retomemos o exemplo da Edificação utilizada no cálculo da largura da escada. Os diferentes desníveis podem ser observados na Tabela 1:

Tabela 1

Tabela 1

A primeira observação: os desníveis foram todos calculados levando-se em conta que o degrau da escada possui espelho de h=18cm. Esta distância atende a legislação e facilita a determinação de todos os níveis do projeto.

A segunda observação é que quando representamos uma planta baixa estamos representando um corte horizontal, passando a cerca de 1,50m do plano de piso: significa então que estamos cortando a escada que está subindo e vendo em vista a escada que está chegando neste pavimento.

Assim, no pavimento Térreo, por exemplo, estamos cortando a escada que está subindo para o 1°pavimento e representando, em vista, a escada que está vindo do 1° subsolo. Como os desníveis são diferentes, estamos representando duas escadas diferentes!

Pavimento Térreo

Pavimento Térreo

A escada representada acima mostra o lanço que vem do 1°subsolo e o lanço que vai ao 1° pavimento tipo.

O pavimento Térreo, por ser o pavimento de acesso, geralmente é colocado com um piso-a-piso maior que do pavimento tipo, não só como estratégia de valorização dos ambientes que  se situam no térreo mas também para que eventuais desvios de instalações e prumadas possam ocorrer no entre-forro.

Como o piso-a-piso determinado possui 5,04m, significa que temos 28 espelhos (5,04/0,18 = 28) para chegar no 1° pavimento – estamos considerando o patamar no meio do percurso, no degrau 14. Já a escada que vem do 1° subsolo vence um desnível de 3,60m, necessitando então de 20 espelhos (3,60/0,18 = 20) – patamar no degrau 10.

Observe que o pavimento Térreo funciona como pavimento de descarga em caso de Incêndio: é por isso que a escada possui uma descontinuidade (representada pela alvenaria que separa os 2 lanços). Isso significa que em caso de sinistro, a pessoa que está subindo do 1° subsolo sai no térreo sem conseguir continuar subindo para o 1° pavimento. Da mesma forma, a pessoa que está descendo do 1°pavimento tipo não consegue continuar descendo até o 1° subsolo sem que tenha que sair da escada no pavimento Térreo.

As portas da escada de incêndio abrem para fora, no pavimento Térreo, pois este é o sentido de fuga, em caso de incêndio.

No 1° subsolo, adotamos o mesmo raciocínio. Como vimos, o lanço que vai ao Térreo tem que vencer o desnível de 3,60m, sendo necessários 20 degraus – patamar no degrau 10. O lanço que vem do segundo subsolo precisa vencer um desnível de 2,88m, precisando então de 16 degraus (2,88 / 0,18 = 16) – com patamar no degrau 8.

1° Subsolo

1° Subsolo

O térreo, por ser o pavimento de descarga, não necessita da Área de Resgate – já os demais pavimentos todos necessitam ter este espaço destinado ao módulo de 0,80 x 1,20 (NBR-9050) – por se tratar de um edifício residencial, o cálculo do número de módulos de referência necessários resultou em 1 – verificar a Lotação da Edificação para a determinação do número de Módulos de Referência necessários.

No 2° subsolo, vemos a escada que vem do 3° subsolo e a escada que vai ao 1° subsolo, ambas vencendo o desnível de 2,88m e, portanto, ambas com 16 degraus – patamar no degrau 8.

2° Subsolo

2° Subsolo

Finalmente, no 3° subsolo, vemos apenas a escada que vai ao 2° subsolo, que vence o desnível de 2,88m (com patamar no degrau 8). É por isso que o restante do lanço que está acima da linha de corte horizontal de 1,50m aparece tracejado – ele está em projeção.

3° Subsolo

3° Subsolo

Retornando ao 1° Pavimento Tipo.

Vimos que do Térreo para o 1° Pavimento Tipo temos um desnível de 5,04m (28 espelhos) – com patamar no degrau 14. Do 1° pavimento para o 2° pavimento, temos o desnível de 3,06m, resultando em 17 espelhos (3,06 / 0,18 = 17) – consideraremos o patamar no degrau 09.

Primeiro Pavimento

Primeiro Pavimento

Do 2° ao 22° Pavimentos temos Pavimento Tipo: 3,06m – o que resulta em 17 espelhos, – patamar no degrau 9.

Pavimento Tipo

Pavimento Tipo

É importante observar que como o desnível do tipo é de 3,06m a Caixa de Escada fica mais “folgada” pois o número de degraus é menor que nos demais pavimentos; no entanto, se tivéssemos solucionado o Projeto apenas pensando o Pavimento Tipo sem ter pensado na escada considerando o pior caso – o pavimento Térreo – teríamos o re-trabalho de refazer toda a Caixa de Escadas quando fôssemos solucionar o Pavimento Térreo!

No 23° Pavimento – o último pavimento-tipo – temos a  seguinte situação: embora a planta baixa do pavimento seja idêntica aos demais tipos, temos o piso-a-piso maior (em geral um degrau a mais, 18cm). Isso acontece porque acima deste pavimento temos o Ático, que é descoberto. As tubulações dos ralos que captam a água da chuva (rede de águas pluviais) precisam de espaço no entreforro para chegar nas descidas das prumadas. Além disso, as tubulações provenientes do barrilete/reservatório superior também percorrem pelo forro até chegarem nos ramais de distribuição, assim como demais instalações (elétrica, telefonia, dados e voz,etc.) que precisem do espaço no entreforro para viabilizar prumadas.

escada-23p

23º Pavimento

Como o acesso ao Ático se dará através de escada marinheiro localizada em outra posição do pavimento, temos que este é o último lanço de escada enclausurada da edificação – portanto a escada que está representada não está cortada e sim em vista. A mureta (ou parede alta) de alvenaria é necessária para segurança dos usuários, uma vez que  escada não continuando a subir torna-se um vazio no chão.

Em todos os casos, consideramos o desnível máximo a ser vencido (sem necessidade de patamar) igual ou menor a 3,25m (Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo), que é mais restritivo que a NBR-9077 e a IT-11 (que permite até 3,70m de desnível sem patamar).

Demais informações para o dimensionamento deste exemplo:

Para o tamanho da Caixa do Elevador, consideramos o Modelo Schindler 3600 (especificação aqui).

As paredes do Núcleo Rígido (Escada enclausurada e Elevadores) é toda de concreto de alta resistência e possui espessura de 19cm.

A escada de Incêndio é pressurizada (não precisando, portanto, de antecâmara)

Corte A auxilia bastante a estudar a Escada.

Corte A - trecho

Corte A – trecho

No Corte A, no trecho do Ático, teremos o Reservatório Superior. Acima da Caixa de Elevadores, teremos a Casa de Máquinas de Elevadores – ambos assuntos do próximo post.

Observação importante: A NBR 9077 possui uma série de questões além das que estão discutidas neste post e deve ser lida e seguida na íntegra.

A Instrução Técnica-11 engloba usos não contemplados pela NBR-9077 e deve ser integralmente seguida, no Estado de São Paulo. Adotar sempre a determinação mais restritiva. o Código de Obras de cada Município irá estabelecer suas restrições.

Estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

Escadas de Incêndio – dimensionamento

 

Escadas de Incêndio possuem dupla função no Projeto de uma Edificação. Além de servirem como deslocamento entre pavimentos formam, em conjunto com a caixa de elevadores, o chamado Núcleo Rígido.

O Núcleo Rígido é responsável não só pela Circulação Vertical (CV) da Edificação mas também – devido às suas características construtivas – tornam a estrutura como um todo mais estável.

O dimensionamento de uma Escada de Incêndio tem que seguir uma série de leis e normas. Tomando o Município de São Paulo, temos especificações sobre a Escada de Incêndio no Código de Obras e Edificações (COE/1992), na NBR-9077 (Saídas de Emergências em Edifícios), NBR-9050 (Acessibilidade a Edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos) e nas Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros – de abrangência estadual (IT-11, IT-12, IT-13, IT-22, etc.).

Desta forma, é importante observar que recaem sobre o dimensionamento das Escadas legislações de diferentes esferas (Municipais, Estaduais, Federais) – devido à sua importância no Projeto de Arquitetura, de modo a assegurar a segurança aos usuários da Edificação.

Um item fundamental a ser compreendida é o conceito de Unidade de Passagem (UP). A UP corresponde a largura mínia para a passagem de uma fila de pessoas e corresponde a 55cm. A capacidade da UP é o número de pessoas que passa por esta unidade em 1 minuto.

O primeiro passo é efetuar o Cálculo da População que a Edificação irá atender, pois o dimensionamento da escada está diretamente relacionado a este número.

Tomemos como exemplo uma Edificação Multifamiliar com 23 pavimentos (Térreo com piso-a-pisode 5,04m, 22 pavimentos tipo com 3,06m e último tipo com 3,24m), com Pavimento Tipo ocupando uma laje de 600m² e 3 subsolos destinados a estacionamento. O tipo é constituído por 8 apartamentos de 2 quartos. O prédio é de alto padrão.

Na Tabela 1, a NBR-077 irá classsificá-la no Grupo A (residencial), divisão A-2 (Habitação Multifamiliar).

captura-de-tela-2016-09-18-as-15-00-34

Na Tabela 2, que classifica a Edificação em relação à sua altura, a NBR-9077 irá classificá-la como Código O (Edificação Alta, com mais de 30,00m de altura), subdivisão 0-1.

captura-de-tela-2016-09-18-as-15-03-06

A Tabela 3 irá fornecer coeficientes em função das dimensões da Edificação em planta baixa.  O coeficiente alfa (α) analisa a área do maior pavimento. No nosso exemplo, o pavimento tipo tem 600m²,que é considerado de pequeno pavimento por ter menos de 750m², sendo então Código P.

captura-de-tela-2016-09-18-as-15-04-09

O coeficiente beta (β) irá analisar os subsolos. por se tratar de um grande subsolo (mais de 500m²), é classificado como Código S.

O coeficiente gama (γ)) irá analisar a área total da Edificação. No nosso exemplo, temos uma Edificação muito grande (área maior que 5000m²), sendo Código W.

A Tabela 4 irá classificar às Edificações quanto as características construtivas. Consideramos sempre o Código Z (edificações em que a propagação do fogo é difícil)

captura-de-tela-2016-09-18-as-15-04-54

A Tabela 5 irá fornecer os dados para o Cálculo da População e dimensionamento das saídas. Para o nosso exemplo (Grupo A, divisão A-2) temos: duas pessoas por dormitório – sendo apartamentos de até 2 dormitórios, a sala também é considerada dormitório.

captura-de-tela-2016-09-18-as-15-05-39

Em apartamentos maiores, salas de estudo, costura, etc, que possam também ser usadas como dormitório serão consideradas como tal. Em apartamentos mínimos, sem divisões em planta, considera-e uma pessoa a cada 6m² de área de pavimento.

No nosso exemplo, temos 8 apartamentos de 2 quartos por pavimento tipo. Como temos que considerar 2 pessoas por dormitório (2 quartos + a sala = 3 dormitórios), temos 6 pessoas por apartamento, 48 pessoas por pavimento-tipo (6 pessoas por apartamento x 8 apartamentos).

É fundamental ter em mente o que diz a norma em seu item 3.3 (Cálculo da população )- pois irá estabelecer quais áreas devem ser incluídas ou excluídas para efeito do cálculo.

A Tabela 6 irá informar a distância máxima a ser percorrida. Considerando o tipo de Edificação como sendo Z e o Grupo A temos 4 opções. Primeiro, definir se a edificação terá sistema de sprinkler (chuveiros automáticos) ou não. Como é um prédio de alto padrão, será com sprinklers. Em seguida, temos que definir se a Edificação terá mais de uma saída. Vamos considerar que devido à questões de projeto foi adotada uma única saída. Temos então, pela Tabela 6, que a distância máxima a ser percorrida é de 55,00m.

captura-de-tela-2016-09-18-as-15-06-22

A Tabela 7 irá estabelecer a relação entre o número de saídas e o tipo de escada. Utilizando o Códigos da Tabela 2 (Código O), para pavimentos com menos de 750m², Grupo A, divisão A-2, temos que ter 1 saída e a escada deve ser PF (Escada a Prova de Fumaça)

captura-de-tela-2016-09-18-as-15-06-59

Nas Definições da Norma (Item 3), estão definidas – dentre outras coisas – os tipos de Escadas de emergência (Escada enclausurada à prova de fumaça (pressurizada ou não), escada enclausurada protegida, escada não-enclausurada)

É importante observar que a Norma considera que para Habitações Multifamiliares (A-2) somente há necessidade de escada enclausurada em edificações com mais de 12m de altura (altura classificada como N, ver tabela 2).

A Tabela 8 irá determinar a necessidade de alarme. No caso do exemplo, sim.

captura-de-tela-2016-09-18-as-15-07-45

No item 4.4 a Norma irá exemplificar o dimensionamento da largura das escadas, em função do cálculo feito para a População.

As escadas, por exemplo, são dimensionadas tendo em consideração o pavimento de maior população. No nosso exemplo, como temos somente pavimento-tipo, iremos tomá-lo como referência.

A largura é dada pela fórmula: N = P/C

Onde N = número de UP (isto é, largura da escada)

P = População

C = capacidade da UP (número fornecido pela Tabela 5 – no nosso exemplo, 45)

No nosso exemplo, teremos:

N = 48/45

N = 1,06

Arredondamos para o próximo número inteiro, ou seja, 2.

Desta forma a largura da escada deve atender a 2 Unidades de Passagem. (0,55 x2 = 1,10m). Adotamos 1,20m, considerando que os corrimões vão ocupar cerca de 10cm (5cm de cada lado), deixando a passagem livre de 1,10m.

Importante observar que a Norma estabelece que o mínimo a ser adotado em qualquer projeto é 1,10m (exceção Hospitais, que devem atender ao mínimo de 2,20m). O Código de Obras do Município de São Paulo estabelece que a largura mínima seja 1,20m.

O espelho (h = altura do degrau) deve ter entre 16 e 18 cm e a pisada (b = largura do degrau) deve atender a Fórmula de Blondel:

63 cm ≤ 2h + b ≤ 64 cm

Pela boa prática, adota-se espelho de 18cm e pisada de 27cm, que atende a fórmula 2 x 18 + 27 = 63

É importante destacar o seguinte: este dimensionamento,  feito pela NBR 9077 (de abrangência nacional) é diferente do dimensionamento estabelecido pela IT-11, do Corpo de Bombeiros, que possui abrangência estadual. Se fôssemos observar o dimensionamento de distância máxima a ser percorrida através da IT-11, por exemplo, poderíamos chegar  a 65m (pela NBR-9077 é 55m) – pela boa prática profissional adotamos sempre o mais restritivo.

NESTE CASO, O COE É MAIS RESTRITIVO que a NBR-9077 e que a IT-11 no que se refere a distância máxima a ser percorrida. Considerando o nosso exemplo, teríamos a distância máxima a ser percorrida de 38m (com sprinkler) ou 25m (sem sprinkler) – ver item 12.8 Disposição de Escadas e Saídas

No caso de subsolos, a Resolução Ceuso 99/01 permite que a distância máxima a ser percorrida chegue a 50m. (link aqui) – válido para o Município de São Paulo.

A NBR-9050 irá estabelecer a obrigatoriedade de determinação de espaços para área de resgate, dentro da Escada de Incêndio. (Item 6.4 Rotas de Fuga). Deve ser deixado o espaço de um módulo de referência (.80×1.20) a cada 500 pessoas de lotação, por pavimento, na antecâmara de acesso a escada ou dentro da escada, no caso de escada sem antecâmara.

No próximo post, apresenteremos alguns desenhos relacionados ãs questões tratadas aqui.

Fonte das Tabelas: NBR-9077

Observação importante: A NBR 9077 possui uma série de questões além das que estão discutidas neste post e deve ser lida e seguida na íntegra. (a norma pode ser acessada aqui)

A Instrução Técnica-11 engloba usos não contemplados pela NBR-9077 e deve ser integralmente seguida, no Estado de São Paulo. Adotar sempre a determinação mais restritiva. o Código de Obras de cada Município irá estabelecer suas restrições.

Estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

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