No post anterior (veja aqui) mostramos a importância de se projetar sempre tendo em mente a disposição do layout/mobiliário nos ambientes e vimos que os ambientes possuem dimensões mínimas que são reguladas pelos Códigos de Obras Municipais e/ou pela NBR 15575, na falta de claras especificações no Código.

São as diretrizes dos Códigos de Obras (em conjunto com o Plano Diretor e Zoneamento) que irão nortear a produção do Mercado Imobiliário. Há uma série de outras questões além das dimensões mínimas – exigência de áreas mínimas de ventilação e iluminação, faixas de aeração, faixas de insolação (essas duas últimas específicas do COE do Município de São Paulo), gabarito máximo de altura para não se ter elevador, etc – mas serão assunto de outros posts.

De forma geral, a maior parte da produção de projetos voltados ao mercado atenderá somente ao mínimo exigido pela legislação. Isso não significa, de forma alguma, que os trabalhos acadêmicos devam se restringir a isso: deve-se entender as regras de projeto exigidas como mínimo e, a partir daí, fazer proposições pensadas no conforto e usabilidade dos futuros usuários daquele projeto.

Vejam como exemplo este apartamento de 50m² que atende ao mínimo exigido pela legislação (as áreas molhadas estão com dimensões maiores que o mínimo exigido, como diretriz de projeto):

Dimensões mínimas de mobiliário e ambientes: Apartamento de 50m²
Apartamento de 50m²

 

Todas as janelas estão ventilando para a mesma face de fachada. As varandas serão adicionadas no projeto, considerando o limite máximo de 10% da área total construída, de forma a ser não-computável. Banheiros possuirão ventilação forçada através de ventokit. A cozinha ventila pela área de serviço, através de ventilação permanente.

Através do número de leitos (1 cama de casal + 2 camas de solteiro) fica definido que o apartamento terá 4 moradores; desta forma a sala deve demonstrar layout com sofá de 3 lugares + 1 poltrona e mesa de jantar para 4 pessoas. O número de assentos deve sempre corresponder ao número de moradores.

Ao destacar as circulações, podemos visualizar o atendimento ao mínimo exigido pela norma:

Dimensões mínimas de mobiliário e ambientes: Estudo de circulações - apartamento 50m²
Estudo de circulações – apartamento 50m²

Nos quartos, as circulações mínimas de 50cm que constam da NBR 15575 entre mobiliário e alvenarias estão respeitadas. No quarto de solteiro, circulação de 60cm entre as camas. A circulação de 75cm a partir da borda da mesa de jantar também está respeitada. A circulação principal, que conecta os diferentes ambientes, possui cerca de 85cm.

No entanto, se formos atender somente ao que exige a NBR 15575 não estaremos oferecendo o melhor projeto possível; assim sendo, todas as circulações deveriam ter no mínimo 80cm caso contrário, ao pensarmos na planta adaptada a NBR 9050, seria inviável atende-la sem que seja necessário repensar os dois quartos e sanitários.

É importante destacar também que no caso de projetos de HIS/HMP existem legislações estaduais específicas que vão estabelecer parâmetros próprios deste tipo de projeto.

Veja neste link uma interessante matéria do Jornal O Globo mostrando como as plantas dos apartamentos de dois quartos sofreram alterações ao longo dos anos.

Observação importante:

Estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

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