No post anterior (link aqui), vimos como dimensionar a largura da escada, obedecendo ao Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo, a NBR-9077 e as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.

Neste post iremos tratar do dimensionamento do comprimento da escada.

A primeira coisa a se ter em mente é que em uma Edificação os Piso-a-pisos (também chamados de Desníveis) serão – quase sempre – diferentes de um Pavimento para o outro. A consequência direta disto é que o número de degraus necessários a vencer os desníveis entre os pavimentos será diferente.

Retomemos o exemplo da Edificação utilizada no cálculo da largura da escada. Os diferentes desníveis podem ser observados na Tabela 1:

Tabela 1
Tabela 1

A primeira observação: os desníveis foram todos calculados levando-se em conta que o degrau da escada possui espelho de h=18cm. Esta distância atende a legislação e facilita a determinação de todos os níveis do projeto.

A segunda observação é que quando representamos uma planta baixa estamos representando um corte horizontal, passando a cerca de 1,50m do plano de piso: significa então que estamos cortando a escada que está subindo e vendo em vista a escada que está chegando neste pavimento.

Assim, no pavimento Térreo, por exemplo, estamos cortando a escada que está subindo para o 1°pavimento e representando, em vista, a escada que está vindo do 1° subsolo. Como os desníveis são diferentes, estamos representando duas escadas diferentes!

Pavimento Térreo
Pavimento Térreo

A escada representada acima mostra o lanço que vem do 1°subsolo e o lanço que vai ao 1° pavimento tipo.

O pavimento Térreo, por ser o pavimento de acesso, geralmente é colocado com um piso-a-piso maior que do pavimento tipo, não só como estratégia de valorização dos ambientes que  se situam no térreo mas também para que eventuais desvios de instalações e prumadas possam ocorrer no entre-forro.

Como o piso-a-piso determinado possui 5,04m, significa que temos 28 espelhos (5,04/0,18 = 28) para chegar no 1° pavimento – estamos considerando o patamar no meio do percurso, no degrau 14. Já a escada que vem do 1° subsolo vence um desnível de 3,60m, necessitando então de 20 espelhos (3,60/0,18 = 20) – patamar no degrau 10.

Observe que o pavimento Térreo funciona como pavimento de descarga em caso de Incêndio: é por isso que a escada possui uma descontinuidade (representada pela alvenaria que separa os 2 lanços). Isso significa que em caso de sinistro, a pessoa que está subindo do 1° subsolo sai no térreo sem conseguir continuar subindo para o 1° pavimento. Da mesma forma, a pessoa que está descendo do 1°pavimento tipo não consegue continuar descendo até o 1° subsolo sem que tenha que sair da escada no pavimento Térreo.

As portas da escada de incêndio abrem para fora, no pavimento Térreo, pois este é o sentido de fuga, em caso de incêndio.

No 1° subsolo, adotamos o mesmo raciocínio. Como vimos, o lanço que vai ao Térreo tem que vencer o desnível de 3,60m, sendo necessários 20 degraus – patamar no degrau 10. O lanço que vem do segundo subsolo precisa vencer um desnível de 2,88m, precisando então de 16 degraus (2,88 / 0,18 = 16) – com patamar no degrau 8.

1° Subsolo
1° Subsolo

O térreo, por ser o pavimento de descarga, não necessita da Área de Resgate – já os demais pavimentos todos necessitam ter este espaço destinado ao módulo de 0,80 x 1,20 (NBR-9050) – por se tratar de um edifício residencial, o cálculo do número de módulos de referência necessários resultou em 1 – verificar a Lotação da Edificação para a determinação do número de Módulos de Referência necessários.

No 2° subsolo, vemos a escada que vem do 3° subsolo e a escada que vai ao 1° subsolo, ambas vencendo o desnível de 2,88m e, portanto, ambas com 16 degraus – patamar no degrau 8.

2° Subsolo
2° Subsolo

Finalmente, no 3° subsolo, vemos apenas a escada que vai ao 2° subsolo, que vence o desnível de 2,88m (com patamar no degrau 8). É por isso que o restante do lanço que está acima da linha de corte horizontal de 1,50m aparece tracejado – ele está em projeção.

3° Subsolo
3° Subsolo

Retornando ao 1° Pavimento Tipo.

Vimos que do Térreo para o 1° Pavimento Tipo temos um desnível de 5,04m (28 espelhos) – com patamar no degrau 14. Do 1° pavimento para o 2° pavimento, temos o desnível de 3,06m, resultando em 17 espelhos (3,06 / 0,18 = 17) – consideraremos o patamar no degrau 09.

Primeiro Pavimento
Primeiro Pavimento

Do 2° ao 22° Pavimentos temos Pavimento Tipo: 3,06m – o que resulta em 17 espelhos, – patamar no degrau 9.

Pavimento Tipo
Pavimento Tipo

É importante observar que como o desnível do tipo é de 3,06m a Caixa de Escada fica mais “folgada” pois o número de degraus é menor que nos demais pavimentos; no entanto, se tivéssemos solucionado o Projeto apenas pensando o Pavimento Tipo sem ter pensado na escada considerando o pior caso – o pavimento Térreo – teríamos o re-trabalho de refazer toda a Caixa de Escadas quando fôssemos solucionar o Pavimento Térreo!

No 23° Pavimento – o último pavimento-tipo – temos a  seguinte situação: embora a planta baixa do pavimento seja idêntica aos demais tipos, temos o piso-a-piso maior (em geral um degrau a mais, 18cm). Isso acontece porque acima deste pavimento temos o Ático, que é descoberto. As tubulações dos ralos que captam a água da chuva (rede de águas pluviais) precisam de espaço no entreforro para chegar nas descidas das prumadas. Além disso, as tubulações provenientes do barrilete/reservatório superior também percorrem pelo forro até chegarem nos ramais de distribuição, assim como demais instalações (elétrica, telefonia, dados e voz,etc.) que precisem do espaço no entreforro para viabilizar prumadas.

escada-23p
23º Pavimento

Como o acesso ao Ático se dará através de escada marinheiro localizada em outra posição do pavimento, temos que este é o último lanço de escada enclausurada da edificação – portanto a escada que está representada não está cortada e sim em vista. A mureta (ou parede alta) de alvenaria é necessária para segurança dos usuários, uma vez que  escada não continuando a subir torna-se um vazio no chão.

Em todos os casos, consideramos o desnível máximo a ser vencido (sem necessidade de patamar) igual ou menor a 3,25m (Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo), que é mais restritivo que a NBR-9077 e a IT-11 (que permite até 3,70m de desnível sem patamar).

Demais informações para o dimensionamento deste exemplo:

Para o tamanho da Caixa do Elevador, consideramos o Modelo Schindler 3600 (especificação aqui).

As paredes do Núcleo Rígido (Escada enclausurada e Elevadores) é toda de concreto de alta resistência e possui espessura de 19cm.

A escada de Incêndio é pressurizada (não precisando, portanto, de antecâmara)

Corte A auxilia bastante a estudar a Escada.

Corte A - trecho
Corte A – trecho

No Corte A, no trecho do Ático, teremos o Reservatório Superior. Acima da Caixa de Elevadores, teremos a Casa de Máquinas de Elevadores – ambos assuntos do próximo post.

Observação importante: A NBR 9077 possui uma série de questões além das que estão discutidas neste post e deve ser lida e seguida na íntegra.

A Instrução Técnica-11 engloba usos não contemplados pela NBR-9077 e deve ser integralmente seguida, no Estado de São Paulo. Adotar sempre a determinação mais restritiva. o Código de Obras de cada Município irá estabelecer suas restrições.

Estas informações são direcionadas a projetos acadêmicos – para projetos “da vida real” é indispensável a contratação de um Arquiteto para a verificação das necessidades de seu projeto e adequações a legislação de sua municipalidade.

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